sexta-feira, 1 de maio de 2020

Grândola. Versão para gaita.


    Às 00h: 20 minutos foi retransmitida por Rádio Renascença a canção Grândola, Vila Morena, do cantor de intervenção Zeca Afonso. Era o sinal para que os militares se alçaram pacificamente contra o governo ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933.

Para os galegos e o resto do Estado Espanhol foi um exemplo do que uma sociedade unida pode conseguir, desde o pacifismo e a luta pola igualdade.


A Aula de Prática Instrumental da Uned-Senior de Rianxo quis somar-se aos numerosos atos que por todo o território galego lembraram esta data.

O mestre, Xosé Romero Miguéns, achega-nos uma partitura para duas gaitas que sem dúvida teria sido muito do agrado de Zeca Afonso. 25 de abril, sempre.

domingo, 26 de abril de 2020

Muiñeira do Fondo de Música Tradicional IMF-CSIF



Fondo ao que pertence a obra: Fondo de Música Tradicional IMF-CSIF.

Investigador: Pedro Echevarría Bravo  (1905-1990)

Ano: 1959

Informante: Ramón Rodríguez Alcalde (68 anos)

Adaptación para gaita e arranxo: Xosé Romero Miguéns, profesor da Aula de Práctica Instrumental Uned Senior-Rianxo.

Peza recollida en 1959 polo director de banda e musicólogo Pedro Echevarria Bravo.
 
Didáctica: Nesta peza trabállase o compás de 6/8, os saltos de 3ª, os arpexos, a quinta en pechado, o batemento de paso ou caída, o dúo a terceiras e os batementos.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

O hino galego de José Ramón Nine.


O Fondo Local de Música do Concello de Rianxo formou-se inicialmente com dois espólios que resultaram fundamentais para o estudo da vida musical da nossa vila no primeiro quarto do século XX. Trata-se dos arquivos pessoais de José Pérez e de José Ramón Nine Piñeiro, ambos os dois militantes do partido galeguista em 1933. [Saúde e República. Xosé Comoxo & Xesús Santos. Concello de Rianxo, Rianxo, 2006] Resulta muito interessante ver a quantidade de versões do hino galego que temos, mesmo alguma imprensa tal como a histórica Poudal/J.A. Veiga, a primeira edição registada legalmente.

©Xoan Antón Castro Barreiro

Uma destas versões resulta peculiar pois é feita para grupo de cordas, guitarra + bandurras. Este tipo de formação foi o preferido de José Ramón Nine Piñeiro, violinista e guitarrista competente. A comparação com outras partituras atribuídas a Nine, a sua caligrafia, o tipo de papel usado –com marca de água A.S.S.–, o contexto no que foi encontrado, a versão na que se baseou... leva-nos a pensar que foi realizada nunca depois da década de 20.
José Ramón Nine Piñeiro (1895-1936) era tesoureiro em 1918 da Unión Obrera, recentemente criada, da que figurava como presidente Manuel Rodríguez e de secretário Vicente Frieiro. Fazia parte da banda de música, sendo aluno da academia de José Benito Piñeiro Jamardo. Deveu estudar na Sociedad Económica de Amigos del País de Santiago de Compostela, tal vez violino.
Nine Piñeiro foi o grande rondalhista desses anos, continuando a tradição dos Losada. Este apelido está desde antigo associado às agrupações de cordas:

«La orquesta de Rianjo que dirige el joven e inteligente Sr. Losada ha cumplido con su deber, captándose tanto él, como sus discípulos las simpatías de los Sres. Socios e individuos de la Comisión de Baile [no Recreo Padronés].» Gaceta de Galicia: Diario de Santiago. Nº 57 11/03/1879

Em 1917 Nine Piñeiro dirige a rondalha de Os XIII, grupo inspirado por Arcos Moldes e do que fazem parte os Dieste e os Pérez. Também é encarregado de dirigir as comparsas do entrudo promovidas por Arcos. A sua relação com este tipo de agrupamentos levou-o a dirigir um concerto em Ribeira só quatro meses antes da sua morte a causa da tuberculose:

«Se hizo merecedora de aplausos la Rondalla de Rianjo, que en dicha velada benéfica prestó colaboración, habiendo actuado con gran acierto y ejecutando entre otras las obras "Leyenda del beso", "Danubio Azul" y "El sitio de Zaragoza". Reciban su director, don José Ramón Nine y demás componentes, una sicera y cordial felicitación.» El pueblo gallego. 29/03/1936

Na pós-guerra, anos depois da morte de Nine, um grupo de ex-alunos formam uma rondalha que leva o seu nome.

O hino.


O Hino Galego de Nine para guitarra e bandurras é, na realidade, uma adaptação da versão do mesmo para orfeão e acompanhamento de piano (tenores 1e 2 e baixo) que já aparece publicada nos Apuntes para la historia del Centro Gallego de la Habana [La Habana, Imprenta "Avidador Comercial", de Miranda, López Seña y Cª., 1909]. A guitarra -em clave de fa– segue quase literalmente a pauta da mão esquerda do piano e a primeira bandurra a do primeiro tenor. A segunda bandurra só está esboçada mas é claro que vai seguir a linha correspondente do segundo tenor.
Enfim, o documento desde um ponto de vista exclusivamente musical, não tem muita importância pois é uma transcrição quase literal duma obra para orfeão e piano a grupo de bandurras e guitarra. Para mim o verdadeiramente importante são as conclusões que desde o plano historiográfico ou do seu contexto social pudéramos tirar. Assim:
- Para mim é surpreendente que Nine utilize a partitura dos Apuntes... para construir a sua versão. Obviamente não estou a dizer que ele tivesse essa edição de 1909, pode usar qualquer cópia ou edição posterior, mas é claro que continua a tradição da impressão havaneira. A partitura de Nine está na tonalidade de sol, igual que a dos Apuntes... Existem outras edições posteriores do hino, por exemplo, em fá.
- Considero igualmente importante o fato de os galeguistas de Rianxo utilizar o Hino Galego em épocas das Irmandades da Fala e posteriormente, do Partido Galeguista. O papel de José Ramón Nine Piñeiro na música local é muito importante e resulta imprescindível estudar a estes músicos locais para explicar como um hino criado em 1909, só uma ou duas décadas depois, está perfeitamente socializado, tendo em conta a carência na Galiza dum governo autónomo.



Original Nine Piñeiro.


 Bibliografia sobre o Hino Galego:
-O hino galego. Documentos históricos. Ferreiro, Manuel.
[http://ruc.udc.es/dspace/bitstream/2183/16028/2/Ferreiro_Manuel_2007_Himno_Galego_Documentos_Historicos.pdf]
-Os símbolos da Galicia. Barreiro, Xosé Ramón & Villares, Ramón.
[http://consellodacultura.gal/mediateca/documento.php?id=102]

sábado, 2 de julho de 2016

As atuações de rianxeiros no programa Desde Galicia para el Mundo. Anos 90. II

Partilhamos a segunda entrega, e última, das atuações das agrupações rianxeiras no programa Desde Galicia para el Mundo, da TVE em Galiza.
No primeiro corte, podemos ver a Dança das Francadas, uma coreografia tipicamente Sección Femenina que tem os seus paralelos em outras culturas marítimas peninsulares. Bonita a peça musical e a performance das bailadora do Centro Deportivo e Cultural de Taragonha.

  Realizador: Julio de la Sierra
Apresentadora; Nazaret López
T.V.E. S.A.

 No segundo vídeo vemos ao grupo de gaitas do Liceu de passodobres por Tanxil. Beleza!

 
Realizador: Julio de la Sierra
Apresentadora; Nazaret López
T.V.E. S.A.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

As atuações de rianxeiros no programa Desde Galicia para el Mundo. Anos 90. I

No mesmo programa do que falávamos na postagem anterior, há uma série de atuações de agrupações rianxeiras que formam parte já do nosso imaginário musical. Uma das grandes surpresas que levei foi encontrar-me com Manuel Vicente "Chapí" e o seu grupo, interpretando O paraíso existe. Não tenho que dizer o muito que lhe deve Rianxo a este grande conservador da memória musical do nosso povo. Também é sabida a minha devoção pela Chapí, o Fígaro da rua do Médio, que como a personagem de Rossini era guitarrista e barbeiro. O grupo Os Chapís aparecem brevemente mas é suficiente para identificar a cada um deles. Assim que ânimo e enviai-me todos os nomes.
Depois, detrás da apresentadora Nazaret López, aparece a gaiteira Alma Caamaño, pondo, nunca melhor dito, toda a alma na interpretação e regalando-nos, como remate ao vídeo, um formoso sorriso.


Realizador: Julio de la Sierra
Apresentadora; Nazaret López
T.V.E. S.A.

Também aparece um vídeo verdadeiramente curioso da Coral do Liceo. Estão sobre o peirao de Tanxil, cantando Son de Rianxo, uma melodia tradicional ou quando menos de autor incerto a quem Prudencio Romo adatou uma letra bem bonita. A pena é que alguma das pessoas que estão a cantar já não poderão olhar novamente estas imagens. Como exemplo do que o tempo e as más práticas nos levou, ficam as saudades da praia de Tanxil, desse peirao desde o que se chimpavam os raparigos e que agora está absurdamente rodeado de areia. E claro, fica a imagem desaparecida, ou não, da Virgem de Guadalupe de Asorei. Bom, desfrutemos com a música e as imagens...

Realizador: Julio de la Sierra
Apresentadora; Nazaret López
T.V.E. S.A.

Continuará...

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Interior da casa de Castelao em Rianxo.

A princípios dos 90, a equipa do programa de TVE-G Desde Galicia para el mundo, capitaneado por Nazaret López, vieram a Rianxo a gravar um capítulo titulado «Rianxo, o paraiso existe». No programa podemos ver entrevistas e atuações muito interessantes e que formam parte já do arquivo histórico da nossa vila. Como exemplo dizer que há uma atuação do grupo de Manuel Vicente Chapi ou um percorrido pelo interior da casa de Castelao, que a dia de hoje supõe um documento excecional. 
Pouco a pouco irei partilhando os vídeos com as atuações musicais realizadas neste programa. Nesta primeira entrega deixo-vos com essa viagem ao interior da morada de Castelao onde podemos ver, na sua localização original, algum dos quadros que fizeram parte da exposição do museu de Ponte Vedra. Saudades!

Realizador: Julio de la Sierra
Presentadora; Nazaret López
T.V.E. S.A.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Xosé Duncan no Fondo Local de Música do Concello de Rianxo.

Quando fizemos a posta de largo do nosso Fondo, o 28 de março do 2015, no concerto titulado Rianxo na Belle Epoque, pedi a Xosé Duncán que lera um texto seu que se escuita-se sincronizado coa Valsa Rianxo, um experimento multimédia que saiu perfeito. E saiu assim porque com Duncan não há qualquer hipótese de improvisação. O seu trabalho é meticuloso, honesto e por cima, absolutamente generoso.
Entre os nossos fundos guardamos com verdadeiro amor o manuscrito de aquela miniatura com a que nos agasalhou. Hoje ponho-a na rede tal e como ele no la deu. Só nos falta a sua assinatura que lha pedirei este verão, quando acompanhada dos amigos e amigas rianxeiros, apresente na sua casa as suas novidades. Aguardamos-te.